Os dias em Belém

Chegando no Motel Holliday, nosso amigo Fabrício nos recebeu com todo conforto e receptividade, e o mesmo fizemos com Jor e Gonza, que chegaram minutos depois que nós no motel.
Ficamos entusiasmados em ver outro casal viajante, em poder compartilhar histórias de estrada e sentimentos. Jor e Gonza, do Llevados por el Viento, fizeram 3 anos de viajem pela américa latina em um fusquinha, e com sua companheira de 4 patas, Léia.

Gus, Magú, Fabrício, Jor, Gonza e Leia
Nossa estadia compartilhada foi bem curtinha mas cheia de histórias, lembranças e planos a futuro. Eles foram embora no dia seguinte e a gente ficou bem acompanhadxs com a família de Fabricio. De a pouco fomos conhecendo às pessoas da família: Jaque (a mãe), Ana (companheira de Jaque) e Flávia (irmã).
O primeiro final de semana em Belém foi bem produtivo: no sábado participamos de um evento na biblioteca popular Carolina de Jesús, convidados por Deia, que participa do Fórum de Mulheres do Amazonas. Houve hip-hop, debate sobre juventude negra e até espaço para Magú pendurar o tecido e encantar algumas mulheres. Conhecemos várias pessoas e um pouco da periferia de Belém.

Café literário na Biblioteca comunitária Carolina de Jesus
O domingo pela tarde fizemos uma oficina de serigrafia artesanal com a galera do Levante Popular da Juventude, no centro cultural que a organização tem no bairro da Cabanagem. A maioria das pessoas eram de Altamira, interior do Pará.
Ficamos com muita vontade de conhecer outras ilhas e dar um rolê pelo o interior.
Um lugar muito lindo que conhecemos foi a Ilha do Combú, que fica na frente da cidade de Belém. Um paraíso a pouco de distância da ilha de concreto. Água de rio, doce, renovadora. a ilha do Combú é ribeirinha, só se entra, se transita e sai da ilha pelo rio.

Visão de Belém desde a Ilha do Combú
Fomos levados por nossa amiga Bruna Suelen, que nos presenteou com esse lugar.
O fim da tarde parecia de magia entrando pelos poros. Nos sentamos na beira da palafita para contemplar a mata alta e virgem, os pássaros e o rio, que corria pra curva que fazia mais adentro da ilha. Agradecemos esse presente.
Nos dedicamos às produções de peças e vendas, mais do que haviamos planejado. Todo domingo, antes do Círio, fomos para a Praça da República vender nossos materiais. Com os dias fizemos bons vínculos com as pessoas que vendiam por lá.
Surgiu também o desafio de fazer fantoches para a igreja de Ana e Jaque, que Magú aceitou e cumpriu com alta honra.

Costura de fantoches em processo

Estampando camisas do Círio de Nazaré
Fomos para a Universidade Federal do Pará que fica a beira do Rio Guamá, num lugar bem bonito. Conhecemos várias pessoas ali, vendemos algumas peças e até rolou uma encomenda de uma camisa do Che Guevara. Além de várias procuras por oficina de serigrafia.
Participamos também de dois eventos: o comício de Haddad antes do primeiro turno e o ato #Elenão. Colocávamos nossas camisas estampadas com nossa arte pró haddad e em repudio ao novo presidente eleito.

Samaúmas no Museu Goeldi
Grata surpresa mesmo foi a visita ao Museu Emilio Goeldi, que também é um parque Zoobotânico. Assim que entramos no museu, a mata preservada nos envolveu como filhos, se escutava o som claro e evidente de cada animal. Fizemos um longo passeio (o museu é muito grande), conhecendo cada raíz espalhada pelo caminho do jardim, de cada árvore centenária e até milenar. As Samaúmas são as que mais saltavam aos nossos olhos, gigantes de troncos largos e fortes. São consideradas árvores sagradas e ancestrais do povos indígenas da Amazonas.
Dentro de nossa longa-porém-curta estadia na capital do Pará, saboreamos uma vasta, diferente e riquíssima culinária paraense. Quem não se dar bem com comida indígena, nem aguenta sentir o cheiro da comida desse lugar, pois ela é a base da alimentação das pessoas.

Saudades do Acaí
Açaí puro (sem açúcar), tacacá, frango no tucupi, maniçoba entre outros. A farinha de mandioca então nem comento…
Jacque e Ana, no dia de seu aniversário de relacionamento, nos levaram para uma sorveteria chamada Maioca. Nos deliciamos com o sorvete de Cupuaçu com castanha do pará que se chama Paidégua. Paidégua é uma expressão da região, que quer dizer “muito bom!!”
Na sexta feira de Círio já podíamos ver os peregrinos chegando, a pé, de joelhos, de todos os jeitos. Fomos para uma manifestação dentro do círio que se chama “O Alto do Círio”, onde abraça todas as formas de crenças religiosas e sua diversidade. E no dia seguinte acompanhamos o Arrastão do Pavulagem, que é uma instituição arte educativa, que tem como principal simbolo o Boi da Pavulagem. Neste dia do círio, ao invés do Boi, usaram um barco gigante de Miriti, simbolizando a entidade, que bambeava nas ondas invisíveis enquanto a orquestra e percurssão fazia ressoar a sonoridade do balanço das águas. No barco tinha escrito “Rainha das Águas”.

Nossa Senhora de Nazaré passando pela BR-316

Pagando promessas de joelhos

Calor durante a processão do Círio
A festividade do Círio de Nazaré é uma comoção de fé, independente da religião praticada, por mais que a devoção seja a Nossa Senhora de Nazaré. Muda as expressões e o comportamento das pessoas. Uma grande festa faz com que as pessoas passem um longo período refletindo sobre o amor ao próximo e a grande força do pensamento positivo de que tudo proverá: a fé.
Tem muito de sofrimento por parte das pessoas que pagam promessa na peregrinação ou na ‘corda’, mas também há muito de celebração à felicidade, à vida que nos foi dada.
O círio nos toca de forma diferente, nos faz sentir abençoados e agradecidos por ter conhecido pessoas maravilhosas ao longo de nossa viajem.
Antes de ir embora, fomos dar um rolé no parque do Utinga, de onde sai a água para as casas da cidade. Também visitamos o mercado de ver-o-peso, o maior mercado a céu aberto de América Latina, o Mangal das Garças e o Portal da Amazônia.

Ver-o-peso
Antes de nos encaminhar para Colares novamente, fomos tomar um banho em Icoaraci, uma cidadezinha na praia que tem o rio da baía do Marajó. O mesmo rio que nos acompanhou à nossa amada Ilha de Colares.

A família que nos acolheu e cuidou

Margarita pronta para seguir viagem