Serra dos Pau doia

A chapada do Araripe foi um destino que foi se engrandecendo durante a viagem. Luiza do sítio Ágatha tinha nos falado do sítio agrodoia, e do trabalho de Silvanete e Vilmar em Exú.
Já bem mais perto, em Ouricuri, Giovane e Paulo da ONG Caatinga, e Adevania e Vera do grupo de Mulheres Jurema falaram do sítio e de que devíamos conhecer Exú e sua zona rural. Então lá fomos nós.
Exú é a terra de Luiz Gonzaga, e também de Silvanete, agricultora familiar e agroecológica, presidenta da associação Agrodóia, mãe de Jeferson, Pedro, Fernanda e Débora, e esposa de Vilmar.
Quando chegamos no sítio, Silvanete fez uma recorrida pelo espaço de produção, e explicava por que em cada canteiro havia mais de um tipo de planta: “ quanto mais diversidade de planta a gente produzir, melhor vai ser a qualidade da terra. Aqui a gente faz uma pequena imitação da natureza”.
Após a ladeira da Chapada, chegamos no sítio Agrodoia quase no final da tarde. Silvanete e suas filhas Fernanda e Débora foram nos apresentando o sítio e suas diversidades agrícolas.
Nas mensagens prévias, Silvanete tinha falado de que queria fazer a oficina de serigrafia. Domingo não foi dia de descanso, começamos cedinho, já que tinhamos que procurar as madeiras para fazer o quadro. Martelo e furadeira em mão, Pedro (o segundo filho da família) e o jovem vizinho Carlos construiram um quadro. Marta e Jaqueline também chegaram e ajudaram a limpar e escolher as madeiras para as matrizes.
Com o quadro pronto, a oficina de serigrafia foi fluindo. Esticamos o nylon e grampeamos a matriz. A seleção do desenho foi fácil. Um banner da associação agrodoia proporcionou uma bonita árvore para decalcar.
Todo mundo colocou um pouco de sua paciença para cubrir o quadro de cola. Assim a primeira demão ficou pronta antes do final da manhã.
Todos juntos almoçamos uma comida bem gostosa, com oropronobres, cebola e jerimum como ponto alto.
Após o descanso merecido, fomos conhecer um pouco mais do sítio. Silvanete nos apresentou o pé de Pau doia que se ve apenas se chega na terra da família Lermen. A sabedoria de Silvanete nos lembrou muito a nossa querida amiga Luiza. Cada planta tem seu uso e cuidado, sem precisar depender de medicamentos caros.
Demos uma segunda mão na tela para garantir que todo estivesse coberto.
Segunda-feira era o dia de impressão. Antes disso, houve tempo para intercambiar algumas sementes. Mais tarde, Pedro nos levou para a agroindustria da associação. Foi contando cada um dos lugares e usos dos espaços. De toda a construção, sobresai o reaproveitamento e trato das águas cinzas e o biodigestor.
Tivemos ainda tempo de conhecer a “floresta dos pausdoias”, uma pequena mata desse tipo de pés, que são nativos e dão nome à região. Também Silvanete nos explicou o uso medicinal e até deu sementes para nos levar para o sítio Ágatha.
As primeiras impressões foram em preto. Conformes com o resultado mas achando que poderia ainda ficar melhor, testamos a tela em laranja e verde. Todos ficamos bem mais contentes com essas cores.
Com novos saberes sobre as plantas medicinais, um saco de maracujá do mato e geleia de Cambuí, partimos para o Ceará recheados da boas energias.